Sobre a Escola Austríaca e Metodologia Econômica

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Resumo: O artigo, ao mesmo tempo que mostra o robusto desenvolvimento da “mainstream economics” ao longo do tempo, defende o argumento de que escolhas erradas na área metodológica, feitas a partir de Mises, levaram à marginalização e à pouca importância relativa da “Escola Austríaca de Economia”.

Abstract: The article shows the impressive development of the mainstream economics through time, pointing to the fact that wrong methodological choices, made from Mises on, led to the marginalization and to the relative unimportance of the Austrian School of Economics.

Felizmente e finalmente, tivemos o lançamento recente da Revista Mises, com o que passamos a dispor de um instrumento de elevado gabarito acadêmico para a difusão das idéias libertárias no Brasil. Não menos importante, a revista permitirá, a julgar por seu primeiro número, que os pouco familiarizados com o idioma inglês tomem conhecimento do que os antigos e novos adeptos da Escola Austríaca de Economia andam fazendo para diferenciar-se do que chamam depreciativamente de mainstream economics, criticando, especialmente, a reputada Escola de Chicago e seu expoente maior, Milton Friedman (1).  Isto, apesar de todas as afinidades ideológicas das duas escolas que, ao longo de muitas décadas, têm procurado sustentar o credo liberal (na acepção européia da palavra) num ambiente universitário infestado por intervencionistas de toda ordem.

Cabe notar que, antes dos tempos de Mises e de alguns de seus predecessores na Escola de Viena, o estudo da Economia era dominado pelo pensamento clássico, onde se destacavam as figuras de Adam Smith, David Ricardo, Pigou, Jean Baptiste Say e até mesmo Karl Marx, que derivou dos dois primeiros sua Teoria da Mais Valia extraída do Valor Trabalho. A grande mudança, que estabeleceu e consolidou o período neoclássico, veio com a revolução marginalista liderada, quase que de forma simultânea e independente, por Carl Menger, na Áustria, por Léon Walras, na França e por Stanley Jevons, na Inglaterra. Na macroeconomia de então, reinava a Lei de Say que deixava a todos despreocupados com “ciclos” econômicos na presunção de que a oferta, criando os recursos para atender a procura, afastava os riscos de recessão, bastando para tanto que vigorasse no mercado de trabalho plena flexibilidade de salários.

Com a Revolução Marginalista de final do século XIX, primeiro incorporada à Teoria do Consumidor e posteriormente adaptada para a Teoria da Firma e dos Fatores de Produção, jogou-se luz às trevas da microeconomia e todo um corpo fechado e coerente, inclusive apropriado ao tratamento lógico da matemática, foi estruturado. Nascia, da Economia Política de então, uma verdadeira Ciência Econômica, fundada em princípios lógicos capazes, inclusive, de produzir uma visão global matematizada, consubstanciada no equilíbrio geral walrasiano.

A virada do século presenciou contribuições notáveis para o desenvolvimento da Teoria Econômica. Sem dúvidas, inclui-se nestas contribuições a Teoria do Capital de Böhm-Bawerk, destacando a importância do fator tempo no processo produtivo e relacionando a taxa de juros à preferência intertemporal dos agentes econômicos (juro como preço da espera). Marshall, por sua vez, transportava os novos conceitos surgidos da revolução marginalista para a análise de equilíbrio parcial de oferta e demanda em mercados específicos (tesoura marshalliana). Os fundamentos e a metodologia da Ciência, desde a publicação dos “Principles of Economics”, em 1890, pareciam caminhar em harmonia, tanto na análise micro como na análise macro, esta fundada na Lei de Say e na Teoria Quantitativa da Moeda (2).

A Grande Depressão dos anos 30 viria alterar esta fase de síntese e refinamento da Teoria Econômica, já que pareciam estar sendo abalados alguns alicerces da macroeconomia otimista de então. Sem querer discutir aqui as causas da Grande Depressão, parecia que tudo que ocorria a partir do “Great Crash” de 1929 não encontrava boas explicações nos manuais existentes, o que deu ensejo ao grande sucesso da Teoria Geral de Keynes, de 1936. Hayek, pressentindo as implicações negativas das idéias de Keynes sobre o intervencionismo estatal, cerrou fileiras contra a “Teoria Geral”, mas todo o clima da época, favorável a ações governamentais urgentes, abafava seus argumentos.

O fato é que precisamos admitir que Keynes teve insights importantes, ao perceber que, diante de crises generalizadas de confiança, os mercados e os modelos econômicos, conforme concebidos na época, não funcionavam a contento. Não era só uma questão de flexibilidade de salários, mas pesava também uma “armadilha da liquidez”, que, ao “empoçar” recursos tanto no sistema financeiro, como em empresas e unidades familiares, tirava efetividade da política monetária. Surgia o conceito de insuficiência da demanda agregada para gerar pleno emprego, que viria dominar a macroeconomia por muito tempo, aumentando a importância relativa da política fiscal compensatória (3).

Juntamente com a influência de Keynes, crescia com força, principalmente a partir da Grande Guerra, o uso da Matemática e da Estatística na Ciência Econômica. O estudo da macroeconomia demandava a construção de agregados econômicos (índices de preços, cálculo do PIB, etc.) e os avanços na informática e o desenvolvimento da Econometria permitiam que teorias se submetessem ao “teste do pudim” (é comendo que se prova o pudim!), tão ao gosto da Escola de Chicago (4).

Contra os keynesianos crédulos, veio a contra-revolução monetarista, comandada por Friedman, que fez um restatement da teoria quantitativa, transformando-a numa teoria da demanda por moeda e mostrando ser esta mais estável que a função-consumo keynesiana (5). Testes da teoria mostravam indubitavelmente que “money matters” e que a política monetária era mais poderosa que a política fiscal para influenciar a renda e o emprego.

No campo da metodologia e dos fundamentos da Ciência, a grande reação ao status quo viria de von Mises, em seu volumoso e pretensioso  “Human Action” (6). Ao defender o axioma básico da Praxeologia, segundo o qual indivíduos estão sempre em busca de estados superiores de satisfação, Mises nada mais fez que substituir, sem qualquer vantagem aparente, a hipótese comportamental de maximização subjetiva de utilidade, já entranhada na profissão (sem qualquer exigência de cardinalidade para o conceito de utilidade). Mas foi na negação do uso da Matemática e da Estatística que mais se evidenciou a influência maléfica de Mises sobre o desenvolvimento da Escola Austríaca. Ao afirmar que a Ciência Econômica deveria ser totalmente dedutiva, apriorista, e que seria improcedente e inadequada qualquer agregação de variáveis econômicas, o mestre austríaco simplesmente isolou seus seguidores, afastando-os de um progresso espantoso que se espalhou na profissão por inúmeros campos, tais como: Comércio Internacional; Economia do Trabalho; Desenvolvimento Econômico; Finanças Públicas; Moeda e Bancos; Organização Industrial; Política Macroeconômica e, especialmente, Matemática Econômica e Econometria.

Enganam-se aqueles que imaginam ser a Economia positiva sujeita a testes empíricos – conforme ensinada em Chicago e em outras universidades de ponta – a antítese de uma teoria dedutiva, construída através de princípios lógicos. Ninguém com juízo perfeito na profissão faz correr centenas de regressões quase que aleatoriamente para daí tentar extrair teorias que se ajustam aos dados. É o inverso: primeiro, a partir da lógica, constrói-se uma teoria.  Só depois vamos ao teste, tentando reforçar nossas convicções, o que ocorre quando estas convicções, popperianamente, não são falseadas pelos resultados obtidos. Nestas circunstâncias, por que não testar, obtendo resultados dentro de alguns graus de confiança? Será preguiça ou será incapacidade de lidar com os instrumentos econométricos?

Ao passar os olhos pela argumentação de Mises e seus seguidores, e mesmo reconhecendo alguns problemas de agregação por eles apontados, só podemos encontrar uma causa motivadora de tanta oposição ao que seus pares faziam em outras escolas: a da preferência e precedência da ideologia libertária sobre o estudo imparcial, sem julgamentos de valor, da Economia positiva. Mises detestava a idéia de ver políticos e burocratas no leme procurando dirigir os rumos do país. A existência de dados econômicos agregados, a produção de modelos econométricos e o estabelecimento de relações de causalidade entre variáveis econômicas só serviriam para estimular a ação pró ativa de policy-makers. Era tudo o que Mises não queria. Na mesma linha de raciocínio podemos justificar sua fixação no padrão-ouro, assim como a preferência de Hayek pelo free banking.

Não há nada mais falso que supor que existe uma Austrian Economics, diferente e apartada da Mainstream Economics. Nossos alicerces são os mesmos. Somos regidos pela lei maior da escassez, segundo a qual “não há almoço grátis”, estando sempre presente um custo de oportunidade. Trabalhamos com a hipótese comportamental da maximização subjetiva de utilidade (ou com o equivalente axioma básico da Praxeologia). Para a firma, a hipótese comportamental é a da maximização dos lucros ou, em formulação mais moderna, a da maximização de seu valor de mercado. Aceitamos o Princípio das Vantagens Comparativas e a Lei da Demanda Negativamente Inclinada. Por fim, estamos todos sujeitos a Lei dos Retornos Marginais Decrescentes, que se desdobra em duas: Utilidade Marginal Decrescente, na Teoria do Consumo, e Produtividade Marginal Decrescente, na Teoria da Produção. Como bem nos lembrava Friedman, não há austrian economics e mainstream economics. O que temos é good and bad economics. (7)

Mas, voltemos ao desenvolvimento mais recente da macroeconomia trazido pela reação neoclássica ao Keynesianismo. Quando money matters passou a ser aceita como proposição indiscutível, a profissão caminhou para um consenso bem expresso na formulação IS-LM, que conciliava equilíbrios nos mercados monetário e de bens e serviços, conquistando livros texto e salas de aula por todo o mundo.

Eis que surge, por volta da década de 60, um forte movimento no sentido de incorporar os fundamentos lógicos da Microeconomia aos modelos macroeconômicos, estes julgados deficientes por não incorporarem premissas de racionalidade no comportamento dos agentes econômicos. A reação (Phelps e Friedman) começa com a contestação da Curva de Phillips tradicional, que relacionava positivamente emprego e inflação, e chega ao seu extremo com a Teoria das Expectativas Racionais, de Robert Lucas. Esta teoria, entusiasmando liberais, praticamente decretava o enterro da Macroeconomia, ao propor a incapacidade dos formuladores de política de influenciar variáveis reais.

Vida que segue e novamente a profissão caminhou para um consenso, evoluindo para o que preferimos chamar de Teoria das Expectativas Racionais Adaptativas (em lugar de chamar de “neo-keynesianismo” o que tem muito mais de Friedman e Robert Lucas que de Keynes). Neste novo “consenso”, agentes econômicos seriam racionais, mas informações poderiam ser assimétricas e demandar certo tempo para plena absorção. A rigidez de contratos poderia também causar atrasos nos ajustamentos de preços e salários. Posto assim, formuladores de política teriam espaço para agir em certos casos, mas não deveriam exagerar em seu ativismo. Como a economia mundial andou dentro dos trilhos nas cercanias da virada do século, macroeconomistas, incorporando em seus modelos os ensinamentos da teoria convencional, pareciam viver um momento de glória.

A eclosão da crise recente, iniciada no mercado imobiliário, mas rapidamente transportada para o setor financeiro, veio modificar o cenário para a profissão e instigar indagações. Como é que os economistas não conseguiram prever o ocorrido? Teriam ainda validade seus modelos? As respostas não estão prontas, mas uma coisa parece certa: características do mercado financeiro e mecanismos que interferem na oferta de moeda e do crédito deverão ser incorporados, juntamente com uma variável proxy para o fator confiança, para que os novos modelos possam ganhar melhor conformidade com a realidade (8).

Note-se, neste ponto, que há muito não falamos de “austríacos” e suas contribuições para o conhecimento econômico. A macroeconomia austríaca cinge-se à envelhecida TACE (Teoria Austríaca de Ciclos Econômicos), de Hayek, que é vista pela nata da profissão como um velho calhambeque diante de bólidos Fórmula-1. Segundo a Teoria, períodos continuados de excessiva expansão do crédito e de taxas de juros baixas têm efeitos não neutros sobre a economia, estimulando exageradamente investimentos de mais longa duração (roundabout methods of production). Estes seriam malinvestments que não se sustentariam terminada a fase de expansão da moeda e do crédito, propiciando a reversão do ciclo (9).

A primeira crítica a ser feita diz respeito à desconsideração da racionalidade dos investidores. Por que best online casino estes fariam malinvestments, sabedores do caráter temporário da baixa nos juros? Abstraindo a questão da racionalidade, podemos apontar problemas maiores advindos da concentração da TACE nos efeitos sobre a oferta, quando sabemos, do estudo dos mecanismos de transmissão da política monetária, que é sobre a demanda por investimentos e por bens de consumo durável que as taxas de juros exercem sua maior influência. Outro ponto de crítica refere-se à influência dos juros sobre o câmbio. Mudanças nas relações de preço tradeables/non tradeables podem ter impactos muito mais fortes na estrutura da oferta que a prevista alteração na composição dos investimentos inspirada em Böhm-Bawerk. Em suma, a TACE, por seu alto grau de irrealismo, mostra-se absolutamente imprestável para competir em igualdade de condições com os modelos macroeconômicos modernos.

Nesta altura, não queremos parecer excessivamente críticos à Escola Austríaca. Já registramos as contribuições feitas por Menger à Teoria do Valor e por Böhm-Bawerk à Teoria do Capital. Os problemas levantados pelos “pais fundadores austríacos” com relação a não homogeneidade do capital, às dificuldades de agregação de variáveis econômicas, à necessidade de uma visão dinâmica na busca de um equilíbrio sempre por acontecer, etc. etc. são também contribuições importantes que induziram maior cautela e rigor na construção do corpo da doutrina econômica convencional. Finalmente, cabe destacar a influência que Mises teve sobre os trabalhos de Gary Becker, ao fazer apelos para o uso do instrumental da Economia em outros campos do conhecimento (10). Mas, confrontada com tudo o que foi feito pela mainstream economics, principalmente a partir da Grande Guerra, a Escola Austríaca mostra-se, simplesmente, desimportante.

Todo jovem liberal, ou libertário, como queiram, precisa saber que não precisa aderir a uma pretensa Austrian Economics para defender seus mais caros princípios. Pelo contrário, ao isolar-se numa redoma, onde não chegam os melhores instrumentos de análise sobre o fato econômico, ficará enfraquecido diante de seus opositores ideológicos, social-democratas ou socialistas, que estarão melhor apetrechados para a argumentação dialética.  O problema se exponencia se nosso jovem, apegado aos simplismo lógico do anarco-capitalismo, agarra-se apenas ao princípio da não agressão aos direitos de propriedade para fazer suas formulações teóricas. Afinal, ninguém de bom senso admite que toda a vida em sociedade possa ser pautada por este único princípio ético, quando muitos outros princípios, igualmente nobres, estão em jogo e podem conflitar.

Para terminar, nada melhor que citar Bryan Caplan, professor da libertária George Mason University, quando explica, em artigo já famoso (11), porque deixou de ser um economista austríaco. Diz Caplan: “embora auto-nomeados economistas austríacos tenham feito algumas contribuições válidas para a Economia, estas simplesmente não são criativas o bastante para sustentar uma escola de pensamento. A tarefa de desenvolver um paradigma austríaco alternativo falhou amplamente, produzindo meta-Economia (Filosofia, Metodologia e História do Pensamento) em abundância, mas poucos resultados substantivos.”E conclui:  “Austrians do some good economics, but most good economics is not Austrian.”

 

*O autor nasceu no Rio de Janeiro, em 22 de agosto de 1945. É economista formado na UFRJ com mestrado e doutorado na Universidade de Chicago. Foi professor da EPGE/FGV-Rio, Chefe do Departamento Econômico da Confederação Nacional da Indústria, Assessor Especial da Secretaria de Planejamento da Presidência da República, Presidente do SEBRAE e Diretor do BNDES. No setor privado, exerceu atividades de consultoria e ocupou diversos cargos executivos em instituições financeiras.

 

NOTAS DE RODAPÉ:

(1)  Ver sobre metodologia e características principais da Escola Austríaca o Capítulo II doAcão Humana, de Mises, e “A Escola Austríaca de Economia na Vanguarda”, de Ubiratan Iorio. Para críticas e comparações com a metodologia de Chicago, hoje fortemente predominante na profissão, ver o artigo “Realismo e Abstração em Economia: Aristóteles e Ludwig von Mises contra Milton Friedman”, de Roderick Long e “The Chicago School versus the Austrian School”, de Robert Murphy.

(2)  Para uma boa síntese da evolução do pensamento econômico,  principalmente até aTeoria Geral de Keynes, ver Economic Theory in Retrospect, de Mark Blaug, e aEncyclopaedia Britannica, Macropaedia, Vol. VI, “Main Currents in the Development of Economic Thought”.

(3)  Ver o artigo “Keynes e os Keynesianos”, de Rubem Novaes, publicado em O Globo.

(4)  Ver “The Methodology of Positive Economics”, de Milton Friedman.

(5)  Ver “The Quantity Theory of Money: A Restatement”, de Milton Friedman.

(6)  Atenção maior deve ser dada ao Capítulo II, “Os problemas epistemológicos das ciências da ação humana”, do Ação Humana de Mises.

(7)  Sobre os fundamentos da Ciência Econômica, ver os primeiros capítulos de Man and Economics, de Robert Mundell. Sobre a frase de Friedman, ver “Milton Friedman and the Chicago School of Economics”, de Richard Eberling.

(8)  Ver o artigo “Modelando a Macroeconomia”, de Rubem Novaes, publicado no jornal Valor Econômico.

(9)  Ver Monetary Theory and the Trade Cycle e Prices and Production, ambos de Hayek, e, para uma representação mais moderna da TACE, ver “Os Triângulos Hayekianos e a Estrutura do Capital” e “New Classical and Old Austrian Economics: Equilibrium Business Cycle Theory in Perspective”, ambos de Roger Garrison.

(10)             Ver artigo “A Economia na Política: Uma Revolução”, de Rubem Novaes, publicado no jornal O Globo. Note-se, entretanto, que Gary Becker, ao utilizar-se do raciocínio econômico para analisar questões pertinentes a outras áreas do conhecimento, fez uso do instrumental neoclássico tradicional.

(11)             Ver artigo “Why I am not an Austrian economist (anymore)”, de Bryan Caplan.

 

BIBLIOGRAFIA CONSULTADA:

– Blaug, Mark;  Economic Theory in Retrospect; Heinemann Educational Books Ltd., 1977.

– Caplan, Bryan; “Why I am not an Austrian economist”; Bryan Caplan Homepage;econfaculty.gmu.edu/bcaplan, 2005

– Ebenstein, Alan;  Friedrich Hayek: A Biography; University of Chicago Press, 2003.

– Eberling, Richard; “Milton Friedman and the Chicago School of Economics”; The Foundation for Economic Education, December 1, 2006.

 

– Friedman, Milton; “The Quantity Theory of Money: A Restatement”, em The Optimum Quantity of Money and Other Essays, Aldine Publishing Company, 1969.

– Friedman, Milton; “The Methodology of Positive Economics”. Em Essays in Positive Economics, The University of Chicago Press, 1953.

-Garrison, Roger; “New Classical and Old Austrian Economics: Equilibrium Business Cycle Theory in Perspective”; Review of Austrian Economics 5, no.1, 1991.

-Garrison, Roger;  Os triângulos hayekianos e a estrutura de capitalmises.org.br (06/01/2009).

-Hayek, Friedrich;  Monetary Theory and the Trade Cycle; Augustus M. Kelley, 1966.

-Hayek, Friedrich;  Prices and Production; Augustus M. Kelley, 1967.

– Hayek, Friedrich, “The Collected Works of F. A. Hayek”; Good Money, Part I, paperback edition; Liberty Fund, 1999.

– Iório, Ubiratan;  Ação, Tempo e Conhecimento: A Escola Austríaca de Economia;  Instituto Ludwig Von Mises, 2011.

– Iório, Ubiratan;  “A Escola Austríaca de Economia na Vanguarda”; Mises-Revista Interdisciplinar de Filosofia, Direito e Economia; Volume I, Número 1, 2013.

– Iório, Ubiratan;  Economia & Liberdade – A Escola Austríaca e a Economia Brasileira; Editora Inconfidentes, 1995.

– Long, Roderick; “Realismo e Abstração em Economia: Aristóteles e Ludwig Von Mises contra Milton Friedman”; Mises-Revista Interdisciplinar de Filosofia, Direito e Economia; Volume I, Número 1, 2013.

– Mises, Ludwig von; Ação Humana: um Tratado de Economia; Instituto Liberal, 1995.

– Mises, Ludwig von; “A Natureza da Atividade Econômica”; Mises-Revista Interdisciplinar de Filosofia, Direito e Economia, Volume I, Número 1, 2013.

– Murphy, Robert; “The Chicago School versus the Austrian School”; Ludwig von Mises Institute, June 20, 2011.

 

– Novaes, Rubem de Freitas; “A Economia na Política: uma Revolução”; publicado em O Globo, em 03/02/2006 sob o título: “Ledo Engano, a Realidade é Cruel”.

– Novaes, Rubem de Freitas; “Modelando a Macroeconomia”; Valor Econômico, 25/05/2011.

– Novaes, Rubem de Freitas; “Keynes e os keynesianos”; O Globo, 06/03/2009.

 

– Overtveldt, Johan Van; The Chicago School; Agata Publishing, 2007.

– Rothbard, Murray; The Ethics of Liberty; NYU Press, 2003.

 

Comentários

  1. Lucas

    Apesar do respeitável currículo do autor e da boa argumentação, percebi alguns pontos fracos na crítica à Escola Austríaca. Por exemplo, no trecho “A primeira crítica a ser feita diz respeito à desconsideração da racionalidade dos investidores. Por que estes fariam malinvestments, sabedores do caráter temporário da baixa nos juros?”. Não faltam exemplos práticos de assimetria informacional e irracionalidade nos mercados. Quando o governo estabelece uma taxa de juros arbitrária, tal como a SELIC, não há como os investidores terem certeza a respeito da real taxa de juros da economia, e nem do timing da reversão do ciclo de baixa para alta (nem do contrário). No máximo poderão obter “sinais” a respeito disso, afinal é uma taxa arbitrária. Além disso, a Escola Austríaca deixa claro que a expansão monetária leva o investidor a se posicionar de forma mais arriscada, por mais racional que ele seja. Portanto, nesse sentido não vejo nenhuma falha na teoria.

    Adicionalmente, também já estudei econometria o suficiente para me convencer de que os modelos mais avançados são incapazes de prever qualquer situação de mercado sem levar em conta a TACE. Não penso que os seguidores da Escola Austríaca tenham “medo” ou incapacidade de lidar com modelos econométricos. Pode-se facilmente adaptá-los à TACE e demonstrar que ela explica muito do que vemos hoje no mundo. Não é à toa que os seguidores da Escola Austríaca previram a crise dos EUA (2008), a do Brasil (2015) e da China (em breve) com anos de antecedência. Se a TACE fosse irrealista, as previsões não teriam tanto sucesso.

    Logo, o medo não é dos modelos econométricos, mas do uso que tende a ser feito deles. Quanto mais números os burocratas tiverem à disposição, maior é a tentação de planejarem a economia de forma centralizada. E sabemos que essa é a receita do fracasso. Conforme declarou Cowperthwaite, em 1962, sobre Hong Kong: “Para toda a nossa economia, é preferível confiarmos na ‘mão invisível’ do século XIX a aceitarmos que as canhestras mãos de burocratas manipulem os delicados mecanismos do mercado”. Hoje, os resultados mostram que o sucesso de Hong Kong foi totalmente previsto pela Escola Austríaca.

    Enfim, se formos comparar a prosperidade dos países, uns com os outros, duvido muito que a Escola Austríaca tenha gerado menos contribuições do que as outras escolas econômicas. Pelo contrário, ela terá gerado mais contribuições do que qualquer outra. Digo isso porque os países que seguem a sua teoria de forma mais próxima, são os mais prósperos.

    Agora, dependendo do conceito de “contribuições para a Economia”, as outras escolas podem ter sido mais produtivas. Convém nos perguntarmos se essas contribuições são mais úteis para a prosperidade dos países. Não me parece o caso.

    Concluindo, eu também adoro os números, mas não vejo possibilidade nenhuma da econometria superar a capacidade de previsão da Escola Austríaca através dos seus modelos. No máximo, podemos utilizá-los de forma complementar, desde que saibamos da nossa limitação no seu uso.

  2. luiz

    Alem de todas as previsões citadas, temos a previsão de Heyak sobre a crise de 29 (falam q Mises tb teria previsto) justamente pela expansão crediticia do Fed (sempre ele) e a rapida recuperacao da crise de 21.

    A TACE é simples e eficaz nas suas previsões(somente ela previu o q nemhuma outra escola previu) Tudo o q se espera de uma boa teoria. Se ela é obsoleta e irreal frente aos modelos neoclassicos, pq so ela previu e explicou corretamente as crises?

    O uso q o autor (e a escola de chicago) faz da racionalidade é substancialmente diferente do uso que a escola austriaca faz.

    Mas o artigo e a replica são excelentes.

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