Se queremos que tudo fique como está, é preciso parecer que tudo está mudando

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No final do século 19, a Itália era constituída de uma série de principados que rivalizavam entre si, sem qualquer unidade nacional. Nesse contexto, era evidente a decadência da nobreza e a ascensão de uma nova classe, destituída de sangue azul, mas concentrando a criação de riqueza: a burguesia. A nobreza, antes dominante financeiramente, precisava pactuar com essa classe para manter sua posição.

Ou seja, mudanças eram necessárias para a nobreza continuar onde estava, como explanou Tancredi, príncipe de Falconeri, um dos personagens da obra “O Leopardo”, de Tomasi di Lampedusa, frase do título deste artigo.

Qualquer semelhança com o momento nacional não é mera coincidência. A economia brasileira está decadente e desestruturada. A queda do PIB, acumulada em 2015 e 2016, será da ordem de 8%; o desemprego atingiu o recorde de 10,9%, abrangendo 11,1 milhões de pessoas, e vai crescer; o rendimento médio real caiu 3,2%; o déficit nominal do setor público é de cerca de 10% do PIB e também cresce, e a dívida pública bruta vai superar os críticos 80% do PIB, a um custo médio anual de quase 20%.

O setor externo é o único com resultados positivos, e nossa balança comercial deve ter um saldo de US$ 45 bilhões, acheter du cialis a bangkok por conta da redução de importações https://www.acheterviagrafr24.com/viagra-100mg/ e não pelo aumento de exportações. Como consequência da desestruturação da economia, nosso tecido social se esgarça com a degradação de serviços básicos de educação e saúde, apesar de uma carga tributária sufocante de 36% do PIB.

Com a decadência, nossa “nobreza” – a classe política – já percebeu que algo precisa mudar. A ainda presidente Dilma Rousseff diz que precisamos de um “pacto social”. Em entrevista recente, um assessor direto do vice-presidente Michel Temer diz que

o problema é a economia. Será?

Douglass North ganhou o Prêmio Nobel de Economia, em 1993, ao examinar a relação entre desenvolvimento e organização social. No estudo, ele concluiu que sociedades podem se organizar em ordem aberta, sem restrições de acesso, ou em ordem fechada, com elites controlando o acesso.

Na ordem aberta, existe uma estrutura transparente e competitiva no sistema político e na economia, que garante a ascensão por inovação e competência. Na ordem fechada, a estrutura é opaca, o sistema político e a economia são fechados em grupos não necessariamente definidos por competência, com ascensão e pactuação por troca de favores. Todos têm telhado de vidro e ninguém joga pedra no telhado do vizinho.

Em seus estudos, North constatou que organizações com ordem aberta, com estrutura transparente e competitiva, tanto na economia quanto na política, desenvolvem-se mais rapidamente.

É evidente que temos, no Brasil, um sistema político fechado, desligado das demandas e necessidades sociais, e, principalmente, não competitivo. Contamos com uma estrutura partidária fragmentada, sem conteúdo ideológico e baseada em alianças e coligações conjunturais, para sobreviver em um presidencialismo de coalizão absolutamente falido. Não temos cláusula de barreira, nem o recall, que possibilita a remoção pelos eleitores de políticos
incompetentes ou corruptos. Também não contamos com a opção de candidaturas avulsas, que

permitam furar a estrutura partidária. Ou seja, nosso sistema político fechou-se para qualquer tentativa de renovação.

Entretanto, o sistema político já percebeu que algo precisa mudar para que eles continuem fechados e onde estão. Todas as suas sugestões virão na direção de mudar o que não envolve o sistema.

Nosso real problema são os políticos e os sistemas político-partidário e eleitoral. Precisamos de uma ampla reforma na Política para renovar nossos valores sociais, permitindo uma reestruturação competitiva da economia, pois, mudanças efetivas de longo prazo na economia, com o atual sistema político, serão simplesmente impossíveis.

Ao contrário do que pensava Tancredi, tudo precisa realmente mudar para que o sistema político não continue como está. Não podemos aceitar ser passivamente conduzidos por políticos não representativos, que buscam apenas a manutenção do status quo.