Pensamento Econômico na Segunda Metade do Século XX e Primeira Década do Século XXI

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1 – O panorama geral do pós-guerra

Finda a Segunda Guerra Mundial começaria uma nova era tanto como consequência desta, quanto pelos desdobramentos da revolução econômica politico e social induzida pelos acontecimentos de 1930.

A partir desta época que não terminaria de evoluir aos dias de hoje os acontecimentos se sucederiam de uma forma vertiginosa de acordo com o século em que se estava vivendo. A época de relativa letargia vivenciada pela colônia, monarquia e republica velha parcialmente rompida com a Revolução de 1930 agora se defrontaria com os novos acontecimentos trazidos pela onda de acontecimentos mundiais, agora num país voltado pra os acontecimentos mundiais.

Em outras palavras se os eventos internacionais repercutiam antes de 1945 de forma moderada, agora nos destronávamos com ele diretamente, por exemplo, a guerra fria. A influencia norte americana impactaria de forma fulminante nos hábitos brasileiros, na maneira de ver o mundo. Junto com a importação de bens e serviços oriundas deste país viriam também ideias, palavras atitudes, hábitos, costumes. O objeto símbolo seria o carro americano que inundaria o merceado brasileiro fruto da alta disponibilidade de dólares americanos no período 1945 a 1950.

A noção de que a Economia era algo importante na vida das pessoas começou a se expandir. De uma forma não totalmente percebida pelas pessoas a noção de que bens materiais não eram exatamente uma dádiva de Deus começaria a penetrar lentamente na sociedade brasileira. É claro que isto não seria feito sem que houvessem tensões crescente que acabariam por repercutir na vida comtiana das pessoas gerando problemas crescentes na vida das famílias. O diploma universitário, por exemplo, não seria apenas um símbolo de “status”, mas algo com o qual poderia se ganhar dinheiro.

A educação deixava de ser uma ilustração pra se tornar um instrumento importante para se alcançar determinados objetivos. Uma importante questão seria o papel desempenhado pela poupança. À noção de que os rendimentos obtidos poderiam ser gastos integralmente haveria de se contrapor uma ideia de que seria importante guardar algo para as eventuais desventuras. Isto não aconteceria de imediato mas já em meados da década de 60 seria institucionalizada.

Não poderíamos deixar de mencionar a emergência do economista uma figura até então totalmente desconhecida. Na verdade tanto na Monarquia quanto na Republica Velha eram os bacharéis os homens que como elemento da sua cultura jurídica e social se ocupavam das questões econômicas., Visconde Cairú, Rui Barbosa, Amaro Cavalcanti, Saens Pena dentre outros.

A profissão só seria regulamentada após a segunda guerra mundial. Os currículos modernizados gradativamente partir dos final dos anos 40. seriam elaborados desacordo com os currículos ingleses e norte americanos o que é em si bastante significativo.

Antes havia entre os juristas, intelectuais e outros que se dedicavam á economia influencia francesa e alemã. É verdade que havia algumas exceções como ó caso da dupla Eugenio Gudin e Otavio Bulhões e Roberto Simonsen. Havia também os rarefeitos marxistas como Professor Leônidas Rezende da Faculdade Nacional de Direito da Universidade do Brasil.

2 – O panorama pôs guerra no hemisfério norte

O Panorama do pós-guerra nos Estados Unidos e na Europa era de imensa euforia no primeiro caso e de pessimismo no Segundo caso.

Com o passar do tempo o panorama europeu graças, sobretudo à Alemanha e seu milagre econômico passaria a ser de mais otimismo.

O mundo herdado de meados Século XIX prometera uma constante expansão econômica interrompida pela primeira guerra e pelas inflações europeias logo depois desta. A crise de 1930 interromperia este ciclo virtuoso e determinaria profundas modificações de abordagem dos problemas econômicos.

A segunda guerra paradoxalmente seria importante para o Estados Unidos e obviamente desastrosa para Europa.

Mas lições de 1930 haveriam de ficar e frutificariam nos pós guerra determinado até meados dos anos 70 anos de imensa prosperidade sem preocupações maiores com a inflação. Mais uma vez o ciclo seria interrompido pela crise do petróleo e suas consequências inflacionárias. Os dispêndios governamentais até antão considerados uma benção agora passariam a ser demonizados. Junto a expansão governamental.

Mesmo assim a anos 80 e 90 embora não tão exuberantes como os anos anteriores revelar-se-iam importantes principalmente no tocante à consolidação do estado de bem estar delineado nos anos 50 e sobretudo 60.

Nada estaria a indicar aquilo que viria a acontecer na entrada do Século XXI, Ao longo deste século inequívocos sinais surgiriam. Mas todos devidamente ignorados. Todo um passado anterior em que pequenas crises seriam sucedidas por uma relativa estabilidade autorizava a que se pensasse na persistência da robustez do sistema. Não foi o que aconteceu no marco de 2008. O sistema rapidamente declina e pior de tudo aquilo que se julgava estabelecidos agora cai por terra.

Após pelo menos dois séculos de aparente evolução e maturação da chamada ciência econômica esta seria desafiada na sua concepção.

3 – A Evolução das Ideias Econômicas Universais

Parece certa que a fundação economia enquanto ciência pertence a Adam Smith com o seu livro “Uma Investigação sobre Natureza e as Causas da Riqueza das Nações” em 1776 . A parir deste ponto a Economia evolui constantemente e passa fazer parte do arcabouço conservador liberal.

No meio deste caminho aparece a grande figura desafiadora em meados do Século XIX que seria Karl Marx que contestaria as ideias de que o capitalismo seria o caminho único do desenvolvimento econômico procurando demonstrar que as próprias forças do capitalismo seriam o gérmen da sua destruição

Tão somente no Século XX decorrente sobretudo da crise de 30 surge John Maynard Keynes com sua “Teoria Geral do Emprego, do Juro  e da Moeda” em 1936. Nela Keynes contesta a ideia de governo neutro e mostra que somente um governo ativo e gastador seriam capazes de recuperar a economia e que consequentemente o mercado de “per se” não seria capaz de fazê-lo.

A divisão entre liberais e intervencionistas marcaria para sempre as discussões e a prática da economia e consequentemente da politica econômica. A prevalência de uma ou de outra seria determinada pelo rumos dos acontecimentos econômicos

É de suma importância assinalar-se que a visão da economias sobretudo no pôs guerra é a de uma ciência ativa cujos princípios aplicados permitiriam serem alcançados certos objetos. Os chamados países pobres ou atrasados com queriam alguns poderiam alcançar o ideário dos mais ricos. Não haveria mais um determinismo histórico no qual o país pobre estaria condenado para sempre a viver neste estado. A palavra chave agora é o Desenvolvimento Econômico.

4 – O Impacto das Ideias Econômicas no Brasil

A internalização das ideias econômicas universais no Brasil conforme já assinalado deu-se de forma rápida tão somente após a Segunda Guerra. A própria palavra economista era ainda uma ilustre desconhecida.

Finda a Ditadura Vargas viria o governo casino online do Marechal Eurico Gaspar Dutra (1946-1950). A situação econômica era relativamente confortável posto que o governo encontrar-se-ia num quadro de grandes reservas de dólares.

Ainda assim os primeiros núcleos de escudos econômicos apareceriam Na Fundação Getúlio Vargas o Instituto Brasileiro de Economia , em São Paulo na Faculdade de Ciências Econômicas , na Confederação Nacional da Industria,, o Conselho Nacional de Economia órgão do Governo Federal que seria responsável mais tarde pela criação do primeiro curso de pós graduação em Economia do Brasil. Também data desta época a noção de plano econômico como foi o caso do Plano SALTE (saúde alimentação, transporte e energia). A Economia passa de um plano contemplativo elemento de uma Cultura Geral para um piano coercitivo no qual se poderia através da aplicação da Economia poder-se-iam atingir certos objetivos, ou seja, o Desenvolvimento Econômico através da utilização, sobretudo da organização de fatores, da sua coordenação ou ainda do planejamento.

O Governo Vargas começa em 1951 herdando uma situação aflitiva de carência de divisas estrangeiras.

O Brasil ainda exportador de café não dá conta da forte demanda de importações. Em consequência a taxa de cambio em torno de 18 cruzeiros já é artificial.

Existem dois problemas aí: certo desconhecimento das distorções introduzidas pro uma taxa de câmbio artificial e uma tentação de não alerta-la uma vez que se reajuste implica num aumento de preços de bens importados que se transmitem aos preços internos e agravam a então já inflação existente.

Registre-se que nesta época de dependência do país de alguns produtos essenciais ainda era muito grande e que portanto o impacto da taxa de cambio era ainda maior do que seria hoje, por exemplo.

Isto tudo deu margem à criação de ideias econômicas e sociais associadas à dependência. Em outras palavras os países dificilmente sairiam do atraso dentro do quadro internacional prevalecente.

Os países ricos não teriam o menor interesse no desenvolvimento dos países pobres só se interessando pelo seu próprio bem estar.

Seria o nacional estatismo desenvolvimentista com o mínimo de relações internacionais. Uma Economia autárquica coisa que tinha sido preconizada por Mussolini em certa época na Itália com relativo sucesso. Curiosamente setores de esquerda abraçaram esta teoria batizando-a de anti-imperialista.

Contra estas ideias veio a ala internacionalista que dizia basicamente duas coisas. O Brasil não tinha poupança própria, pois era país de renda baixa incapaz, por conseguinte de gerar recursos próprios para seu investimento os quais necessariamente teriam que ser suplementados por recursos internacionais. Argumentavam ainda que ao contrário do que diziam os nacionalistas as potencias econômicas tinham interesse no desenvolvimento dos países sub posto que criariam novos mercados coisa que seria dos interesse deles ricos. Este embate ocuparia todo a segunda metade Século XX. Seria mitigada no Século XXI. Outro problema era o da explicação da inflação. Coerente com a ideia de dependência a Comissão Econômica para América Latina (CEPAL) procurou achar uma explicação para a inflação crônica que grassava na região. Ela se defrontava de um lado com um problema politico que era o de não acusar ao menos frontalmente os governos nas sua mazelas fiscais ou seja de gerar déficit permanente gastar mais do que arrecadar.

Ao mesmo tempo teriam que conseguir uma explicação engenhosa para estas inflações. Alguns economistas engenhosos conseguiram elaborar. “A Teoria Estruturalista da Inflação”, Como se desenvolve? Os países subdesenvolvidos são basicamente exportadores de produtos primários e importadores de produtos industriais. Os primeiro tendem a ter preços declinantes enquanto que os segundos os preços tendem a ser ascendentes. Logo a relação de troca entre eles desfavorece sempre os países subdesenvolvidos.

Coisa simétrica acontece então com os países desenvolvidos que são sempre favorecidos. O governo pra compensar a perda de recursos internacionais é obrigados a lançar mão de emissões monetárias para compensar os produtora locais o que pressiona permanentemente os governos e leva os preços dado um conjunto de bens existentes na economia. Além disso a insuficiência de infraestrutura, transportes e comunicações e energia condição estrutural destes países agrava problema resultando numa tendência altista de preços.

Os custos são pressionados os preços aumentam, idem os salários que por sua vez pressionam os preços e obrigam novas emissões.

Um subproduto disto foi o processo de substituição de importações, ou seja produzia-se internamente o que se importava o que explica o processo de industrialização de alguns países muito embora com suporte internacional publico ou privado.

A teoria começou a esvaziar quando países  como Brasil, Argentina, Chile, México se industrializaram e as inflações persistiram. Uma outra teria paralela que se desenvolveu principalmente no governo. Kubitscheck (1956/1960) foi a de inflacionar para desenvolver. Emissões relativamente controladas suprindo a deficiência de recursos externos A principal motivação foi a recusa do FMI em financiar Brasília.

Foi no entanto com a renuncia de Jânio Quadros (que conseguiu domar a inflação de certo modo) em 1961 e a consequente tumultuada posse de João Goulart (1961-1964) foi que a inflação atingiu pata mares históricos fruto exclusivamente dos desequilíbrios fiscais e da reposição por vezes artificial de salários.

Um fator paralelo que segundo alguns é o crucial nas crises politicas é a oscilação cambial que desorganiza o sistema interno de preços de um país. É no período militar (!964-1985) é que a inflação tem uma certa redução. Mas ela necessita de uma explicação especial. Pela primeira vez na historia da inflação brasileira adotou-se um modelo de compensação pela perda de valor da moeda no passado. Com isto uma nova moeda surgia a cada período de tempo. Enquanto a inflação manteve-se num certo nível o mecanismo parece ter sido aceito pela sociedade brasileira. Os chamados preços relativos mantinham-se dentro de certa faixa. ou seja, o conjunto de bens e serviços cresciam de preço mais ou menos igualmente inclusive os salários.

Com a crise do Petróleo em 1973 (o mecanismo tinha funcionado desde 1964) houve uma certa aceleração de preços que impactou neste mecanismo acelerando-o e perturbando o mecanismo dos preços relativos. Na segunda crise em 1979 já no Governo Figueiredo as coisas começaram a desandar agravadas pela queda no inicio da década dos 80 pela queda do crescimento econômico. É interessante focalizar a ideologia econômica por trás do modelo adotado. Ele é basicamente keynesiano de prevalência dos gastos, com algum controle de inflação, inicio de um endividamento interno e externo e altamente estatizante. Neste ponto os extremos se tocam, pois a estatização tanto nos seus mecanismos de intervenção na economia, quanto no da criação de empresas estatais ou no seu fortalecimento são partes da agenda de ambas.

O que dizia a esquerda neste período? Ela desde a época juscelinista tinha abandonado uma agenda mais radical de socialização dos meios de produção e partido para uma solução mais nacionalista de ênfase na indústria nacional ou aquilo que ela denominava de “burguesia progressista”. Como parte da sua agenda estava em pleno vigor (fortalecimento da Petrobras, Vale do Rio Doce etc.), concentrou-se então no ataque aos investimentos internacionais, nas remessas de lucros, e no endividamento externo parte daquilo que ela denominava de política imperialista. A inflação ainda era base  do seu discurso, muito embora condenassem a correção monetária. O recrudescimento da inflação no Governo Figueiredo e as quedas nas taxas de crescimento dente outros marcaram o fim do período militar.

As ascensão de Sarney (1985-1990) marcam o período em que as taxas inflacionária foram superiores de qualquer período da história econômica de então. Todos os períodos inflacionários da historia universal e brasileira forma objeto de pesado escrutínio. Houve uma sucessão de planos de estabilização dos quais o do Cruzado I foi o que a curto prazo melhor sucesso obteve. Já a ideia de inflacionar pra desenvolver tinha caído por terra. Cogitava-se agora de perscrutar os meandros do processo inflacionário buscando choques monetários de toda a espécie.

Na Academia analisava-se com afinco a inflação alemã de 1921/1923. A ideia do gradualismo em face da experiência brasileira tinha perdido seus encantos. Agora a metodologia era de rapidamente conter a inflação, pois os agentes econômicos (empresas e famílias) estavam mais do que atentos a qualquer erro de curto prazo como, aliás, acontecera com o Plano Cruzado I. O governo militar que lograra conter os sindicatos e suas reinvindicações agora na democracia não poderia fazer o mesmo. Estavam todos escaldados e rapidamente reivindicavam não somente a reposição salarial passada, mas mais um acréscimo tendo em vista a futura inflação já que era certo que esta não se atenuaria.

A posse de Collor foi cercada de expectativas. Rumores diversos corriam. Sobretudo no que concerne ao congelamento de poupanças. As expectativas foram muito além. Todos os ativos financeiros foram congelados. A ideia dentro da filosofia de choque já adotada por planos anteriores era o governo se antecipar aos agentes econômicos surpreedendo-os e assim supostamente vencer a inflação Já os demais agentes não poderiam defender-se adotando contramedidas capaz de anular as medidas governamentais. A ideia era de congelar da moeda bancária em parte reequilibrando o fluxo dos bens e serviços e a moeda permitindo desta forma que os preços não subissem. Os agentes tomados de surpresa regiram positivamente e os preços estabilizaram-se momentaneamente já que o sistema havia se tornado ilíquido. O poder de compra das famílias havia se  reduzido a algumas poucas poupanças e aos salários que seriam recebidos nos futuro. Isto foi tratado como empréstimo já que 18 meses depois haveria a devolução do montante cassado com juros, o que de fato ocorreu.

Foi reinstituído o cruzeiro como moeda corrente. A administração do plano é que foi tumultuada e a remonetização foi rápida por causa da estagnação econômica que se sucedeu obrigando o governo a injetar moeda sob forma de créditos. Como a medida fora muito violenta o governo rapidamente perdeu capital politico e os empresários em pouco tempo passaram a aumentar os preços. Teve o Governo Collor uma grande virtude a de abrir o comércio externo e indiciar o programa de privatização da economia.

A essas alturas o país estava saturado dos programas de choque de modo que com o impedimento de Collor a ascensão de Itamar (Dez 1993) vem o Plano Real em 30 de Julho de 1994. Desde logo o Plano foi transparente explicando a transição pra URVs adotado uma nova moeda o Real e principalmente prometendo e cumprindo um plano de equilíbrio fiscal. Estabeleceu ainda uma paridade com o dólar mantida até praticamente o segundo mandato de Fernando Henrique Cardoso (autor do plano) que sucedera a Itamar, quando foi adotada a liberdade cambial inexistente em nenhum período da historia econômica do pais. A ideologia econômica ortodoxa conservadora de contenção de déficits fiscais, metas de inflação, a certa disciplina cambial perdurou até mais ou menos  a recessão de 2008, quando forma necessárias medidas de elevação de gastos.

A partir daí com agravamento no governo Dilma as metas inflacionárias forma sucessivamente elevadas, ora em nome de se evitar nova recessão ou ainda por elevação dos gastos de custeio, isto é, manutenção da máquina governamental o que por seu turno obriga a que as faixas de inflação programadas sejam cada vez mais elevadas