Levi e Levy: duros cobradores de impostos?

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A bíblia relata que Levi era um cobrador de impostos a quem Jesus chamou para segui-lo, dando-lhe o nome de Mateus, que passou a ser não apenas apóstolo, mas evangelista.

A população odiava o cobrador de tributos, tanto que criticou Jesus por fazer uma refeição com ele e convidá-lo para a missão apostolar.

Levi, mesmo acompanhando Jesus, não assumiu uma postura resistente quanto ao cumprimento dos deveres dos cidadãos com o Estado, pois transmitiu a célebre frase “Dai, pois, a Cesar o que é de Cesar e a Deus o que é de Deus”.

Temos agora o Levy, com “y”, no Ministério da Fazenda.

Alguns dizem que tem “mãos de tesoura” para cortar gastos públicos. De outro lado, além de anunciar mudanças nos tributos brasileiros, já anunciou, ontem, algumas medidas no setor, mexendo com contribuições e impostos.

Já escrevi, em artigo anterior, que quanto aos cortes nos gastos públicos, é fundamental que haja cuidadosa seleção para que programas de desenvolvimento com reflexos sociais não sejam prejudicados.

Não basta pensar apenas em dar a Cesar, mas é importante saber que os governos existem para administrar orçamentos com vistas ao bem estar da população, sem promoção de privilégios à concentração de rendas.

Quanto aos tributos, o que temos no Brasil é um sistema tributário dos mais confusos do mundo. A reforma tributária é uma necessidade, mas todas as tentativas para implantá-la foram frustradas por posturas corporativistas ou pela prevalência de interesses regionais.

Enquanto não temos um novo modelo tributário, algumas mudanças são necessárias.

Cada alteração que for encaminhada ao Congresso Nacional receberá propostas corporativistas de mudanças e atenção a interesses setoriais.

No caso da CIDE, que best online casino incidirá sobre combustíveis, não há dúvidas de que as críticas serão muito fortes, pelos reflexos no custo da gasolina. Lembro, no entanto, que o setor sucroalcooleiro, com vistas à produção de etanol, vinha insistindo há muito tempo que a retirada de incidência da mencionada contribuição desestimulava a produção do combustível não fóssil.

Cada medida beneficiará alguns setores e prejudicará outros.

A visão não pode ser apenas de garantir receitas públicas, embora o equilíbrio orçamentário seja fundamental.

Ao Levy, com “y”, cabe lembrar que o Levi, com “i”, não deixou de transmitir a mensagem de dar a Cesar o que é de Cesar, mas defendeu, com pregação e informações, que se buscasse o bem estar da população através do “dai a Deus o que é de Deus”.

O Brasil precisa de seriedade na administração orçamentária.

Já escrevi sobre as posturas corporativistas e as resistências. Ninguém quer pagar mais tributos. A maioria defende isenções e benefícios fiscais. Há mobilizações contra aumento de tarifas.

Será preciso diálogo e firmeza para que, tanto no que diz respeito aos cortes de despesas como às mudanças tributárias, haja o necessário conserto na situação atual, sem perder de vista o dever do Estado de promover o bem estar social.

O exemplo do Levi, com “i”, demonstra que é possível dar a Cesar com a visão de que isto é para dar a Deus o que é de Deus.